Isto é o que hoje é*


Não sei o que é conhecer-me. Não vejo para dentro./Não acredito que eu exista por detrás de mim.*

*Caeiro (in poemas completos)

Quinta-feira, Novembro 19, 2009


Lilya Corneli



todos os dias há sempre algo despropositado
até a manhã quando a chuva escorre
ininterruptamente nos vidros e as folhas das árvores parecem cabelos
molhados no embalo do vento

é despropositada a voz
a música
os olhos caídos
a fuga das mãos para o abrigo dos bolsos

é despropositado
o vazio dos cinzeiros
quando os pulmões se recusam já ao fumo
o lugar ocupado à mesa por alguém que se atrasará
o relógio parado à cabeceira dos mortos

é despropositado
o gesto de abandonar a chávena na mesa do café de rua
a voz
a música
os olhos caídos
a fuga das mãos para o abrigo dos bolsos

o inverno a sobrepor-se, em cada manhã,
à lenta cadência dos beijos

é despropositado
o tremer do corpo na tua ausência

Domingo, Novembro 15, 2009

Another night in*

A chuva a escorrer pelos cabelos e *Tindersticks pelo canto do olho.

Segunda-feira, Novembro 09, 2009

Reduzi o mar
A um búzio no teu ombro -
Não olhes para trás.


José Pedro F. Leite, outros litorais
(10 Novembro, 22h, Era uma vez...no Porto: apresentação do novo livro "As mãos e o lume")

Quinta-feira, Novembro 05, 2009

os silêncios a despertarem guerras

guerras

o silêncio


Kumi Oguro


o corpo abandonado à erosão das paredes

Ontem foi:

About me:

Sopra-me ao ouvido: